Neste artigo (5 partes)
Resumo em 30 segundos
- A Serasa Experian ouviu 1.526 PMEs em setembro de 2026: 41,9% vão oferecer produtos em diferentes faixas de preço no Dia das Crianças.
- 18,9% das PMEs pretendem aumentar ou diversificar o estoque para a data, decisão que costuma exigir capital de giro.
- 27,5% apontam cobrir custo e preservar margem como o maior desafio na hora de decidir o preço.
- O Procon-PE encontrou diferença de até 34,31% no valor do mesmo tipo de produto entre lojas, em pesquisa de 25 de setembro a 2 de outubro de 2026.
- 41,5% das PMEs ainda estão avaliando o que fazer na data, segundo a Serasa Experian.
O Dia das Crianças, em 12 de outubro, aproxima e uma pesquisa da Serasa Experian, divulgada em 7 de outubro de 2026, mostra como a pequena e média empresa está decidindo o valor cobrado nessa data. Entre as PMEs consultadas, 41,9% planejam oferecer produtos em diferentes faixas de preço, à frente de manter os preços normais, citado por 34,5%, e de aplicar desconto ou preço promocional, escolha de 23,6%. Por trás dessa escolha está uma decisão que também é de caixa: quanto a empresa pode gastar com estoque e por quanto tempo esse dinheiro fica parado até a venda.
O que mostra a pesquisa da Serasa Experian
A pesquisa ouviu 1.526 pequenas e médias empresas em setembro de 2026, com predominância de negócios de comércio e serviços. Para quem ainda decide o que fazer na data, 41,5% das empresas dizem estar avaliando quais iniciativas adotar. Entre as que já se planejaram, 18,9% pretendem aumentar ou diversificar o estoque, 8,8% vão investir em divulgação e marketing e 8,5% vão montar promoções específicas. Do outro lado, 22,3% não têm nenhuma preparação prevista para a data.
Leticia Muzzi, diretora de Pequenas e Médias Empresas da Serasa Experian, afirma que oferecer faixas de preço diferentes ajuda a empresa a alcançar mais perfis de cliente sem abrir mão da margem em todos os produtos.
O desafio não é só vender, é cobrir o custo
A mesma pesquisa mostra onde a conta aperta: 27,5% das PMEs apontam cobrir custo e preservar margem como maior desafio na hora de definir o preço, 26,7% têm dificuldade em achar o valor que o cliente aceita pagar e 24,3% citam a concorrência. Esses três desafios aparecem juntos porque dependem da mesma informação: quanto custou comprar, produzir ou repor aquele item, e quanto sobra depois da venda.
Um levantamento do Procon-PE, feito entre 25 de setembro e 2 de outubro de 2026 em lojas de Recife, Olinda, Paulista e no comércio eletrônico, encontrou diferença de até 34,31% no valor cobrado pelo mesmo tipo de produto entre lojas diferentes, no caso um carrinho de bebê. A diferença mostra que o valor final de um produto infantil não segue uma régua única no mercado, o que deixa ainda mais espaço para a empresa errar a mão para cima ou para baixo se decidir o preço sem conhecer bem o próprio custo.
Aumentar estoque para a data também é decisão de crédito
Quase um quinto das PMEs pretende aumentar ou diversificar o estoque para o Dia das Crianças. Na prática, isso quer dizer comprar mais mercadoria antes de vender, o que exige dinheiro parado em caixa ou crédito para cobrir essa compra até o produto virar venda. É aqui que a decisão de preço se encontra com a decisão de capital de giro: qual linha de crédito usar, por quanto tempo e com que taxa, para o aumento de estoque não virar um problema maior do que a venda que ele deveria gerar.

Programas como o Pronampe seguem sendo a porta de crédito mais usada por pequenas empresas para esse tipo de necessidade pontual, mas a aprovação de uma linha de capital de giro depende do que o banco enxerga no CNPJ naquele momento. Restrição em aberto, score baixo ou dívida do sócio misturada com a da empresa pesam na análise e podem travar justamente o crédito que resolveria o estoque da data, como mostra o levantamento sobre dívidas do CNPJ e do CPF dos sócios.
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Falar no WhatsAppAntes de decidir o preço e o estoque, vale checar
- Quanto cada produto custou para entrar no estoque, sem deixar frete e imposto de fora da conta.
- Se o CNPJ está apto a pedir uma linha de capital de giro hoje, ou se existe alguma restrição pendente para resolver antes de procurar o banco.
- Qual é o prazo real de venda do estoque extra, para não pagar juros por mais tempo do que a mercadoria leva para virar caixa de novo.
- Se vale mais negociar prazo maior com o próprio fornecedor do que recorrer logo a um crédito mais caro para cobrir a compra.
O número da própria empresa pesa mais que a média do setor
Antes de ampliar estoque ou abrir mão de margem numa faixa de preço mais baixa, vale entender a própria saúde de crédito da empresa. Um diagnóstico financeiro empresarial mostra, a partir de Serasa, SPC e Boa Vista, o que está pesando contra a empresa hoje e qual é a ordem certa para resolver antes de pedir uma linha nova de crédito. Para quem já carrega alguma restrição, a elevação de rating bancário organiza a negociação com os bancos para que o crédito de capital de giro fique mais acessível na próxima data sazonal, não só nesta.
Nenhuma pesquisa de mercado substitui o número real da própria empresa. A faixa de preço que funciona para o concorrente pode não cobrir o custo do seu estoque, e o crédito que serve para o vizinho pode não caber no seu caixa. O caminho mais seguro começa pelo que está registrado em nome do CNPJ, não pela média do setor.
Fontes
- Serasa Experian, Dia das Crianças: 41,9% das PMEs planejam oferecer opções em diferentes faixas de preço, 7 de outubro de 2026serasaexperian.com.br
- Consumidor Moderno, Dia das Crianças: PMEs recorrem a opções de preço em vez de só descontos, 7 de outubro de 2026consumidormoderno.com.br
- Portal de Prefeitura (Pernambuco), Presentes para o Dia das Crianças têm diferença de até 34,31% nos preços, 8 de outubro de 2026portaldeprefeitura.com.br
Informações conferidas em 10/10/2026. Fotos: Michael Garlick, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0); Túllio F, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
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