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Entenda antes de pedir

SCR: o que o Banco Central sabe sobre o crédito da sua empresa

Antes de aprovar ou negar uma linha, o banco consulta um cadastro do Banco Central com o histórico da sua empresa em outras instituições. Veja o que ele mostra e como consultar o seu.

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Murilo Mesquita, especialista em crédito empresarial, em estúdioFoto: Acervo Mesquita Soluções Financeiras · uso autorizado pelo cliente
Neste artigo (9 partes)
  1. O que é o SCR
  2. O que aparece no relatório
  3. Por que isso importa mais do que o nome no mercado
  4. Como consultar o relatório do próprio CNPJ
  5. O que fazer quando o relatório traz um problema
  6. Um exemplo comum em Goiânia
  7. Antes de protocolar o próximo pedido
  8. SCR não é o único cadastro que o banco olha
  9. Perguntas frequentes

Quando um negócio de Goiânia pede uma linha de capital de giro, o gerente não decide só pelo que vê no extrato. Antes disso, ele consulta um cadastro do Banco Central chamado SCR, o Sistema de Informações de Crédito. É nele que fica registrado, mês a mês, o que o CNPJ deve em cada banco, financeira e cooperativa do país, mesmo que o pedido atual seja feito em uma instituição onde a companhia nunca tomou crédito antes.

O que é o SCR

O SCR reúne as operações de crédito de pessoas físicas e jurídicas que qualquer instituição financeira autorizada pelo Banco Central precisa reportar quando o valor envolvido passa de determinado limite. Para quem tem CNPJ, isso inclui empréstimo, financiamento, cartão empresarial, cheque especial de pessoa jurídica, aval e fiança prestados a terceiros. O sistema não é um banco de dados público nem aparece em consulta comum de CNPJ feita por fornecedor ou cliente. Só o Banco Central, o próprio titular do cadastro e as instituições que ele autoriza têm acesso ao conteúdo completo.

O que aparece no relatório

O SCR mostra o valor total devido, dividido por tipo de operação e por instituição, o histórico de atraso dos últimos meses, se existe alguma garantia vinculada à dívida, como imóvel ou recebível, e a classificação de risco que cada banco atribuiu à operação na própria carteira. Essa classificação vai de AA, risco mais baixo, até H, quando o débito já está em atraso superior a 180 dias. É esse número, mais do que o nome da marca no mercado, que pesa na hora de uma nova instituição decidir se libera recurso e em que condição.

Por que isso importa mais do que o nome no mercado

É comum o dono de negócio achar que, por nunca ter atrasado um boleto de fornecedor, está com a ficha limpa para pedir uma linha nova. O problema é que o SCR enxerga outra camada: um financiamento de veículo com atraso pontual há oito meses, um cheque especial de pessoa jurídica estourado todo fim de mês, ou uma fiança dada para outra companhia do mesmo grupo que está em dificuldade. Nenhum desses itens aparece em uma simples consulta de score e rating do CNPJ, mas todos entram na análise que o banco faz pelo SCR antes de responder ao pedido.

Como consultar o relatório do próprio CNPJ

Todo titular tem direito a ver os próprios dados no SCR a qualquer momento, de graça, pelo sistema Registrato do Banco Central. O acesso é feito pelo representante legal, com login gov.br, informando o número do CNPJ. O relatório mostra exatamente o que cada instituição reportou, inclusive operações já quitadas que ainda aparecem no histórico recente. É o mesmo tipo de consulta que compõe um diagnóstico financeiro completo, porque mostra o que o próximo banco vai ver antes mesmo de o pedido ser protocolado.

O que fazer quando o relatório traz um problema

Encontrar uma classificação de risco pior do que o esperado não significa que a situação não tem saída. Em muitos casos, o problema é uma operação antiga mal encerrada, uma garantia que não foi baixada depois de quitada, ou uma dívida que, na verdade, pertence ao CPF do sócio e não ao CNPJ, mas acabou contaminando a análise mesmo assim. Esse tipo de cruzamento está no centro do trabalho de dívidas do CNPJ e do CPF dos sócios e de elevação de rating bancário, porque corrigir o que está mal registrado costuma abrir mais porta do que insistir em pedir a mesma linha em bancos diferentes.

Um exemplo comum em Goiânia

Uma loja de material de construção do Setor Pedro Ludovico, faturando bem e em dia com fornecedores, teve um pedido de capital de giro recusado em dois bancos seguidos. O motivo só apareceu depois da consulta ao SCR: um financiamento de caminhonete quitado meses antes ainda constava com uma pendência de baixa no sistema de um dos bancos, e isso bastava para puxar a classificação de risco para baixo nas duas análises seguintes. Resolvido o registro, a terceira proposta foi aprovada em condição melhor do que a primeira tentativa. É esse tipo de situação, silenciosa e fácil de corrigir quando identificada a tempo, que justifica olhar o SCR antes de sair pedindo crédito em mais um banco.

Antes de protocolar o próximo pedido

Vale a pena consultar o SCR com alguma antecedência do pedido, não no dia em que o caixa já está apertado. Isso dá tempo de corrigir uma baixa que não foi feita, reorganizar uma garantia mal registrada ou separar o que é dívida do sócio do que é dívida da operação, antes que o próximo gerente de banco veja o cadastro pela primeira vez. A consultoria de crédito em Goiânia da Mesquita Soluções Financeiras lê esse relatório junto com o cliente e aponta, item por item, o que precisa ser ajustado antes do próximo pedido sair do papel.

SCR não é o único cadastro que o banco olha

O SCR é a principal fonte usada pelo próprio banco, mas a análise de crédito raramente para nele. O gerente costuma cruzar esse histórico com o faturamento declarado, com apontamento em birô privado e, em alguns casos, com a situação pessoal dos sócios. Por isso, um plano de preparação sério não se limita a tirar o relatório do Registrato: ele também passa por entender o que pesa a mais em cada etapa da análise, da mesma forma que acontece em muitos casos de banco que nega crédito sem dar uma explicação clara no balcão. Olhar os dois lados, o cadastro oficial e o comportamento recente da própria operação, é o que separa um pedido bem preparado de um pedido repetido sem ajuste.

Perguntas frequentes

O que significa a sigla SCR?

SCR é o Sistema de Informações de Crédito do Banco Central, o cadastro onde bancos, financeiras e cooperativas reportam as operações de crédito de empresas e pessoas físicas.

O SCR é a mesma coisa que o Serasa ou a Boa Vista?

Não. Serasa e Boa Vista são birôs privados, alimentados também por protesto, ação judicial e informação de mercado. O SCR é um cadastro oficial do Banco Central, alimentado só pelas próprias instituições financeiras, com dado que o birô privado não enxerga.

Quanto custa consultar o SCR da própria empresa?

Nada. A consulta é gratuita, pelo sistema Registrato do Banco Central, feita pelo representante legal da empresa com login gov.br.

Um atraso antigo já pago ainda aparece no SCR?

Pode aparecer por um período no histórico recente, mesmo depois de quitado. Por isso vale conferir se a baixa foi registrada corretamente pela instituição que concedeu o crédito.

O SCR usa o CPF do sócio na análise da empresa?

O SCR separa os cadastros de CNPJ e CPF, mas o banco pode consultar os dois na hora de decidir, principalmente quando o sócio deu aval ou fiança em nome próprio para uma dívida da empresa.

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