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Bancos veem mais corte na Selic em 2026, diz Febraban

A Febraban ouviu 20 bancos entre 22 e 28 de setembro. A maioria aposta em mais um corte na Selic antes do fim do ano, e a projeção de crédito voltado a empresas, incluindo programas como o Pronampe, subiu. Veja o que isso muda, e o que ainda não muda, para quem pede crédito na empresa.

MPor Mesquita Soluções Financeiras7 de outubro de 20264 min de leitura
Fachada do edifício sede do Banco Central do Brasil na Avenida Paulista, em São Paulo, com estrutura em concreto aparenteFoto: Foto: Wilfredor · CC0
Neste artigo (3 partes)
  1. O que a pesquisa da Febraban mostrou
  2. Por que existem dois caminhos diferentes para a mesma empresa
  3. O que isso muda, e o que ainda não muda, pra quem pede crédito na empresa

Resumo em 30 segundos

  • A Febraban ouviu 20 bancos entre 22 e 28 de setembro. 70% esperam mais um corte na Selic ainda em 2026.
  • 50% dos bancos projetam a Selic terminando 2026 em 13,50% ao ano, 20% esperam 13,25% ou menos, 30% não esperam mais cortes.
  • A projeção de crédito total em 2026 ficou em 8,9%. Para empresas, o crédito direcionado (que inclui o Pronampe) subiu para 13,4%.
  • O crédito livre para empresas, negociado direto com o banco, tem projeção bem mais baixa: 3,5%.
  • Projeção de banco não é decisão do Copom: a Selic só muda nas reuniões oficiais, e nenhum corte foi confirmado ainda.

A Febraban divulgou nesta terça-feira, 6 de outubro, uma nova rodada da Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas, feita com 20 bancos entre os dias 22 e 28 de setembro. O recado principal para quem administra uma pequena empresa é este: a maioria das instituições ainda espera mais um corte nos juros básicos antes do fim de 2026, e a previsão de crédito voltado a empresas subiu, puxada por programas do governo como o Pronampe. Isso não muda o custo do dinheiro hoje, mas ajuda a entender para onde a conta está indo nos próximos meses.

O que a pesquisa da Febraban mostrou

Dos 20 bancos ouvidos, 70% acreditam em alguma redução adicional da Selic ainda neste ano. Metade desse grupo espera um corte de 0,25 ponto percentual na taxa. Ao todo, 50% dos participantes projetam a taxa básica terminando o ano em 13,50% ao ano, 20% apostam em 13,25% ou menos, e 30% não esperam mais nenhum movimento em 2026.

No crédito às empresas, a expectativa também subiu. A projeção de crescimento da carteira total no sistema financeiro em 2026 ficou em 8,9%. O destaque veio do segmento direcionado às empresas, com previsão de alta de 13,4%, categoria que inclui, segundo a própria pesquisa, programas governamentais voltados a micro, pequenas e médias empresas, como o Pronampe e o Peac-FGI. Já o crédito livre para pessoa jurídica, aqueles sem destinação definida pelo governo e negociados direto com o gerente, têm projeção bem mais modesta, de 3,5%.

Por que existem dois caminhos diferentes para a mesma empresa

A pesquisa separa dois mundos que o dono de pequeno negócio costuma tratar como se fossem um só. De um lado está o recurso direcionado, com regra, teto e taxa fixados por lei ou por um programa específico. O Pronampe é o exemplo mais conhecido: taxa atrelada à Selic mais um adicional fixo, prazo e carência definidos, e análise que passa pelo mesmo cadastro que qualquer banco participante usa. Do outro lado está o recurso livre, onde cada instituição decide taxa, prazo e garantia caso a caso, olhando o histórico da empresa e dos sócios.

Vista aérea de prédios comerciais e residenciais do Setor Bueno, região de bancos e empresas em Goiânia
Setor Bueno, em Goiânia, concentra boa parte das agências bancárias e empresas da capital.Foto: Foto: Boaventuravinicius · CC BY-SA 3.0

É por isso que a diferença de ritmo entre os dois (13,4% contra 3,5% de expansão prevista) importa mais do que parece. Ela mostra que o espaço para crescer está concentrado onde existe programa, teto e regra pública, não na negociação livre balcão a balcão.

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O que isso muda, e o que ainda não muda, pra quem pede crédito na empresa

Projeção de banco não é decisão tomada. A Selic só muda de fato nas reuniões do Copom, e nenhum corte foi confirmado ainda para o restante de 2026. O que essa pesquisa mostra é a leitura que o próprio setor está fazendo do cenário, e essa leitura importa porque influencia como as instituições vão liberar recursos nos próximos meses, principalmente dentro dos programas direcionados.

Na prática, isso reforça algo que já valia antes dessa pesquisa sair: entender qual linha a empresa pode acessar, e por quê, pesa mais no resultado final do que esperar a taxa cair para tentar nos mesmos termos de sempre. Uma empresa com score baixo ou dívida em aberto no CNPJ continua enfrentando recusa independente do nível da Selic, porque a análise de risco olha o histórico da empresa antes de olhar a taxa básica.

O que avaliar enquanto a Selic não cai

  • Confira se a empresa se enquadra em algum programa direcionado. O Pronampe e linhas parecidas de bancos públicos costumam sair mais em conta do que o recurso livre negociado direto no banco.
  • Olhe o motivo de uma negativa antes de pedir de novo. Score baixo, dívida em aberto no CNPJ ou dos sócios e rating bancário pesam na aprovação, independente do nível da taxa básica no momento do pedido.
  • Não espere o corte da Selic para organizar a dívida da empresa. Quem resolve pendência no CNPJ agora chega em melhor posição quando as condições ficarem mais favoráveis, se e quando isso acontecer.
  • Separe a conversa de prazo da conversa de taxa. Em um cenário de juro alto e seletivo, negociar carência e prazo de pagamento costuma abrir mais espaço do que insistir só na taxa anunciada.

A próxima rodada da pesquisa da Febraban sai em cerca de 45 dias, depois da próxima reunião do Copom. Até lá, o cenário para quem administra uma pequena empresa segue sendo o de agora: juro ainda alto, caminho mais aberto dentro dos programas com regra definida, e análise mais seletiva fora deles.

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