Neste artigo (3 partes)
Resumo em 30 segundos
- A Febraban ouviu 20 bancos entre 22 e 28 de setembro. 70% esperam mais um corte na Selic ainda em 2026.
- 50% dos bancos projetam a Selic terminando 2026 em 13,50% ao ano, 20% esperam 13,25% ou menos, 30% não esperam mais cortes.
- A projeção de crédito total em 2026 ficou em 8,9%. Para empresas, o crédito direcionado (que inclui o Pronampe) subiu para 13,4%.
- O crédito livre para empresas, negociado direto com o banco, tem projeção bem mais baixa: 3,5%.
- Projeção de banco não é decisão do Copom: a Selic só muda nas reuniões oficiais, e nenhum corte foi confirmado ainda.
A Febraban divulgou nesta terça-feira, 6 de outubro, uma nova rodada da Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas, feita com 20 bancos entre os dias 22 e 28 de setembro. O recado principal para quem administra uma pequena empresa é este: a maioria das instituições ainda espera mais um corte nos juros básicos antes do fim de 2026, e a previsão de crédito voltado a empresas subiu, puxada por programas do governo como o Pronampe. Isso não muda o custo do dinheiro hoje, mas ajuda a entender para onde a conta está indo nos próximos meses.
O que a pesquisa da Febraban mostrou
Dos 20 bancos ouvidos, 70% acreditam em alguma redução adicional da Selic ainda neste ano. Metade desse grupo espera um corte de 0,25 ponto percentual na taxa. Ao todo, 50% dos participantes projetam a taxa básica terminando o ano em 13,50% ao ano, 20% apostam em 13,25% ou menos, e 30% não esperam mais nenhum movimento em 2026.
No crédito às empresas, a expectativa também subiu. A projeção de crescimento da carteira total no sistema financeiro em 2026 ficou em 8,9%. O destaque veio do segmento direcionado às empresas, com previsão de alta de 13,4%, categoria que inclui, segundo a própria pesquisa, programas governamentais voltados a micro, pequenas e médias empresas, como o Pronampe e o Peac-FGI. Já o crédito livre para pessoa jurídica, aqueles sem destinação definida pelo governo e negociados direto com o gerente, têm projeção bem mais modesta, de 3,5%.
Por que existem dois caminhos diferentes para a mesma empresa
A pesquisa separa dois mundos que o dono de pequeno negócio costuma tratar como se fossem um só. De um lado está o recurso direcionado, com regra, teto e taxa fixados por lei ou por um programa específico. O Pronampe é o exemplo mais conhecido: taxa atrelada à Selic mais um adicional fixo, prazo e carência definidos, e análise que passa pelo mesmo cadastro que qualquer banco participante usa. Do outro lado está o recurso livre, onde cada instituição decide taxa, prazo e garantia caso a caso, olhando o histórico da empresa e dos sócios.

É por isso que a diferença de ritmo entre os dois (13,4% contra 3,5% de expansão prevista) importa mais do que parece. Ela mostra que o espaço para crescer está concentrado onde existe programa, teto e regra pública, não na negociação livre balcão a balcão.
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Falar no WhatsAppO que isso muda, e o que ainda não muda, pra quem pede crédito na empresa
Projeção de banco não é decisão tomada. A Selic só muda de fato nas reuniões do Copom, e nenhum corte foi confirmado ainda para o restante de 2026. O que essa pesquisa mostra é a leitura que o próprio setor está fazendo do cenário, e essa leitura importa porque influencia como as instituições vão liberar recursos nos próximos meses, principalmente dentro dos programas direcionados.
Na prática, isso reforça algo que já valia antes dessa pesquisa sair: entender qual linha a empresa pode acessar, e por quê, pesa mais no resultado final do que esperar a taxa cair para tentar nos mesmos termos de sempre. Uma empresa com score baixo ou dívida em aberto no CNPJ continua enfrentando recusa independente do nível da Selic, porque a análise de risco olha o histórico da empresa antes de olhar a taxa básica.
O que avaliar enquanto a Selic não cai
- Confira se a empresa se enquadra em algum programa direcionado. O Pronampe e linhas parecidas de bancos públicos costumam sair mais em conta do que o recurso livre negociado direto no banco.
- Olhe o motivo de uma negativa antes de pedir de novo. Score baixo, dívida em aberto no CNPJ ou dos sócios e rating bancário pesam na aprovação, independente do nível da taxa básica no momento do pedido.
- Não espere o corte da Selic para organizar a dívida da empresa. Quem resolve pendência no CNPJ agora chega em melhor posição quando as condições ficarem mais favoráveis, se e quando isso acontecer.
- Separe a conversa de prazo da conversa de taxa. Em um cenário de juro alto e seletivo, negociar carência e prazo de pagamento costuma abrir mais espaço do que insistir só na taxa anunciada.
A próxima rodada da pesquisa da Febraban sai em cerca de 45 dias, depois da próxima reunião do Copom. Até lá, o cenário para quem administra uma pequena empresa segue sendo o de agora: juro ainda alto, caminho mais aberto dentro dos programas com regra definida, e análise mais seletiva fora deles.
Fontes
- Febraban: Pesquisa indica que 70% dos bancos participantes enxergam mais corte na Selic ainda em 2026 (06/10/2026)portal.febraban.org.br
- O Tempo: Bancos acreditam em mais cortes na taxa Selic em 2026; confira pesquisa da Febraban (06/10/2026)otempo.com.br
- BP Money: Bancos esperam novo corte da Selic ainda em 2026, aponta Febraban (06/10/2026)bpmoney.com.br
Informações conferidas em 07/10/2026. Fotos: Foto: Wilfredor (CC0); Foto: Boaventuravinicius (CC BY-SA 3.0).
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