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Pronampe 2026: teto do crédito sobe para R$ 500 mil

A Medida Provisória 1.355/2026 dobrou o teto do Pronampe, de R$ 250 mil para R$ 500 mil por CNPJ, e esticou o prazo de pagamento e a carência. Entenda o que muda para quem pede crédito de capital de giro.

MPor Mesquita Soluções Financeiras30 de setembro de 20264 min de leitura
Fachada do edifício da Caixa Econômica Federal no Largo da Carioca, no Rio de JaneiroFoto: Halley Pacheco de Oliveira · CC BY-SA 3.0
Neste artigo (5 partes)
  1. O que mudou no Pronampe
  2. Quem pode pedir e onde contratar
  3. Quanto custa esse dinheiro
  4. O crédito para empresas em 2026, em números
  5. O que isso muda na prática para quem pede

Resumo em 30 segundos

  • O teto do Pronampe subiu de R$ 250 mil para R$ 500 mil por CNPJ, limitado a 50% do faturamento bruto do ano anterior (até 60% para empresas lideradas por mulheres).
  • O prazo de pagamento foi de 72 para 96 meses, com carência de até 24 meses em que a empresa paga só juros.
  • A tolerância para atraso antes de perder acesso a novo crédito passou de 14 para 90 dias.
  • O juro é pós fixado, Selic mais 6% ao ano, hoje perto de 20% ao ano.
  • A mudança veio pela Medida Provisória 1.355/2026 e ainda depende de aprovação do Congresso para virar regra permanente.

O Pronampe, o programa de crédito para micro e pequenas empresas que existe desde 2020, ganhou uma atualização importante em 2026. A Medida Provisória 1.355/2026 dobrou o teto do programa e esticou o prazo de pagamento, mudando o tamanho do capital de giro que uma pequena empresa consegue tomar com garantia do governo. A mudança ainda depende de aprovação do Congresso para virar regra permanente, mas já está valendo nos bancos credenciados.

O que mudou no Pronampe

O teto saiu de R$ 250 mil para R$ 500 mil por CNPJ, mas com um limite adicional: o valor financiável não pode passar de 50% do faturamento bruto do ano anterior da empresa, ou 60% quando a empresa é liderada por mulher. O prazo total para pagar foi de 72 para 96 meses, e a carência, o período em que a empresa paga só os juros antes de começar a amortizar o valor emprestado, dobrou de 12 para 24 meses. A tolerância de atraso também mudou: antes, 14 dias de atraso já tiravam a empresa do programa; agora são 90 dias antes de perder acesso a um novo pedido.

Quem pode pedir e onde contratar

Podem pedir o Pronampe o MEI, a microempresa e a pequena empresa com faturamento bruto anual de até R$ 4,8 milhões, CNPJ ativo há pelo menos 12 meses e certidões de débito em dia. Não pode ter processo de recuperação judicial em curso. O pedido não passa por um portal único do governo: é feito direto nos bancos credenciados, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Santander, Bradesco e cooperativas como Sicredi e Sicoob, além de bancos regionais. A operação tem garantia do FGO, o Fundo Garantidor de Operações, o que dispensa a empresa de oferecer bem como garantia ou apresentar fiador.

Fachada de uma loja de calçados de pequeno porte, com vitrine e produtos expostos
Pequeno comércio em Campo Bom (RS): é esse porte de empresa, com faturamento bruto anual de até R$ 4,8 milhões, que pode pedir o Pronampe.Foto: Awallon Calçados · CC BY-SA 4.0

Quanto custa esse dinheiro

A taxa de juros do Pronampe é pós fixada, Selic mais 6% ao ano. Com a Selic na faixa de 14% ao ano, o custo total fica perto de 20% ao ano. É um valor inferior ao de muitas linhas tradicionais de capital de giro do mercado, que costumam cobrar de 2,8% a 3,5% ao mês, mas como a taxa é pós fixada, ela acompanha o movimento da Selic durante todo o prazo do contrato. O dinheiro pode ser usado para capital de giro, compra de insumos e folha de pagamento, mas não serve para quitar dívida que já existe fora do programa.

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O crédito para empresas em 2026, em números

O Pronampe novo chega num momento em que o Banco Central revisou para cima a projeção de expansão do crédito no país. No Relatório de Política Monetária de setembro, a instituição elevou a estimativa de crescimento do crédito total em 2026 para 9,1%, ante 9,0% na revisão anterior. Para pessoa jurídica, a projeção específica subiu para 8,2%, contra 7,8% antes. O detalhe está na composição: o crédito livre, negociado direto entre banco e empresa, teve a previsão reduzida de 7,8% para 7,2%, enquanto o crédito direcionado, que segue regras do governo como o próprio Pronampe, subiu de 10,7% para 11,7%. Ou seja, o dinheiro com condição mais acessível para a pequena empresa está crescendo mais rápido do que o financiamento livre dos bancos.

O que isso muda na prática para quem pede

Antes de procurar o banco, vale entender o que pesa na análise que decide se a empresa entra ou não num programa como este: o score e o rating do CNPJ, se há dívida em aberto no CNPJ ou no CPF dos sócios e o histórico de pagamento nos últimos meses. Um diagnóstico financeiro mostra esse retrato antes de a empresa entrar no banco, o que ajuda a chegar com o pedido certo e evitar uma negativa que pesa no histórico. Para quem já pensa além do Pronampe, vale também entender as opções de capital de giro e de MEI e microempresa disponíveis no mercado.

O teto maior e o prazo mais longo dão fôlego para quem toma o empréstimo, mas o tamanho aprovado ainda depende do faturamento declarado e do histórico da empresa nos birôs de crédito.

Como a MP 1.355/2026 ainda precisa passar pelo Congresso para virar regra permanente, vale acompanhar o calendário de votação e conferir direto com o banco credenciado as condições vigentes na data do pedido, já que prazo, carência e teto podem sofrer ajuste até a conversão em lei.

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