Neste artigo (5 partes)
Resumo em 30 segundos
- O Sudeste reúne 902.957 PMEs, a maior base regional do Brasil, segundo a Serasa Experian (13/10/2026).
- Só 25,2% das PMEs do Sudeste têm perfil tomador de crédito, abaixo da média nacional de 28,0%.
- A afinidade com capital de giro no Sudeste é 37,9%, também abaixo dos 41,0% nacionais.
- O Centro-Oeste, onde fica Goiânia, tem 31,1% de perfil tomador e 44,2% de afinidade com capital de giro, acima da média do país e do Sudeste.
- Quase metade das PMEs do Sudeste, 49,9%, está nas faixas mais baixas de Score PJ.
Um levantamento da Serasa Experian divulgado em 13 de outubro de 2026 mostra um dado que parece contraditório à primeira vista: o Sudeste, região que concentra o maior número de pequenas e médias empresas do Brasil, tem menos afinidade com crédito do que a média nacional. E bem menos do que o Centro-Oeste, onde fica Goiânia.
O tamanho do Sudeste
Segundo o estudo, feito pela plataforma Insights Hub a partir de uma base de 1,9 milhão de PMEs ativas em todo o país, o Sudeste reúne 902.957 pequenas e médias empresas, o maior contingente entre as regiões brasileiras. São Paulo responde por 61,1% desse total, seguido por Minas Gerais (20,1%), Rio de Janeiro (14,0%) e Espírito Santo (4,8%). A maior parte dessas empresas, 72%, está fora das capitais.
Menos apetite por crédito do que o esperado
O número que chama atenção é outro: apenas 25,2% das PMEs do Sudeste têm perfil de tomadoras de crédito PJ, contra uma média nacional de 28,0%. A afinidade com operações de capital de giro também fica abaixo da média: 37,9% no Sudeste contra 41,0% no país. Quase metade das empresas da região, 49,9%, está nas faixas mais baixas de Score PJ, até 300 pontos.
A diretora de Serviços de Crédito da Serasa Experian, Viviane Moura, atribui o resultado ao perfil da base: empresas mais maduras, menores e mais dispersas geograficamente tendem a recorrer menos ao crédito bancário no dia a dia, mesmo representando o maior volume de negócios do país.
O contraste com o Centro-Oeste
A diferença fica mais clara quando se compara com a região onde fica Goiânia. Um levantamento anterior da própria Serasa Experian, divulgado em 8 de outubro, mostrou que 31,1% das PMEs do Centro-Oeste têm perfil tomador, e 44,2% têm afinidade com capital de giro, os dois índices acima da média nacional e bem acima do Sudeste. Ou seja, mesmo tendo menos empresas no total, o Centro-Oeste busca crédito proporcionalmente mais do que a região que concentra o maior número de negócios do país.

Para quem empreende em Goiânia, esse contraste tem uma leitura prática: o banco que atende uma empresa daqui já parte de uma base de comparação em que o Centro-Oeste pede mais linha, mais capital de giro e, naturalmente, é analisado com mais atenção para esse tipo de operação. Isso não significa aprovação mais fácil nem mais difícil, mas reforça que a forma como o CNPJ se apresenta no cadastro pesa tanto quanto a região.
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Falar no WhatsAppO que isso muda na prática
- Região não substitui organização. Estar numa região com mais apetite por crédito não melhora a análise de um CNPJ com restrição ativa ou documentação desatualizada.
- Score baixo é maioria em qualquer região. O Sudeste tem quase metade das PMEs com Score até 300 pontos, patamar parecido com o observado em outros levantamentos regionais já tratados aqui. Conhecer a própria pontuação, e o que está pesando nela, é o primeiro passo antes de pedir qualquer linha nova.
- Capital de giro continua sendo a porta mais comum. Em todas as regiões analisadas pela Serasa Experian em 2026, essa foi a modalidade mais citada pelas PMEs, o que reforça que fluxo de caixa, e não investimento, segue sendo a maior urgência das pequenas empresas.
O que pesa de verdade na análise do banco
Dado de região serve para o banco entender o volume de operações que pode esperar de uma praça, não para decidir sozinho a aprovação de um CNPJ específico. O que entra na análise de crédito de uma empresa são fatores concretos: histórico de pagamento em bureaus como Serasa, SPC e Boa Vista, tempo de CNPJ aberto, consistência de faturamento declarado e eventuais dívidas em aberto, tanto no CNPJ quanto no CPF dos sócios. Uma empresa de Goiânia com documentação organizada tem mais chance de aprovação do que uma empresa paulista com restrição ativa, mesmo que São Paulo concentre 61,1% das PMEs do Sudeste e seja, isoladamente, o maior mercado de crédito corporativo do país.
É por isso que o dado do Sudeste, por maior que seja em volume, não deve ser lido como regra para nenhuma empresa específica. Serve como retrato de uma região, não como previsão para um CNPJ.
O diagnóstico financeiro empresarial da Mesquita Soluções Financeiras mostra exatamente isso para cada CNPJ: o que pesa no score, onde está a restrição e qual caminho faz sentido antes de bater à porta de um banco. A região ajuda a entender o cenário, mas quem decide a aprovação é o que está registrado no nome da empresa.
Ter mais empresas na região não significa pedir mais crédito. O que pesa na análise do banco é o que está no CNPJ, não o CEP.
Fontes
- Serasa Experian: Sudeste reúne mais de 900 mil PMEs e 25,2% têm perfil tomador de crédito (13/10/2026)serasaexperian.com.br
- Jornal Empresas e Negócios: Sudeste reúne mais de 900 mil PMEs e 25,2% têm perfil tomador de crédito (14/10/2026)jornalempresasenegocios.com.br
- BRA 1: Sudeste lidera em número de PMEs no Brasil, mas tem menor afinidade com crédito (13/10/2026)bra1.com.br
Informações conferidas em 17/10/2026. Fotos: Wilfredor (CC BY-SA 4.0); maanceto (CC BY 3.0).
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