Neste artigo (5 partes)
Resumo em 30 segundos
- Serasa Experian (20/10/2026): 9,3 milhões de empresas inadimplentes em agosto, alta de 14,3% em 12 meses.
- A dívida soma R$ 244,4 bilhões em 68,2 milhões de registros; as micro e pequenas são 8,8 milhões de CNPJs.
- Serviços concentram 56% das empresas inadimplentes e o comércio, 32%.
- Selic em 13,75%, e a procura por crédito empresarial subiu 11,2% em 12 meses.
- Antes de pedir crédito, mapeie pendências do CNPJ e do CPF dos sócios.
O número de empresas com contas atrasadas no Brasil chegou a 9,3 milhões em agosto de 2026, o maior da série mensal da Serasa Experian, divulgado em 20 de outubro. É uma alta de 14,3% sobre agosto de 2025. Para quem pretende pedir crédito nos próximos meses, o dado importa: o banco consulta exatamente esse tipo de registro antes de aprovar uma operação.
Os números de agosto
A dívida somada dessas empresas chega a R$ 244,4 bilhões, espalhados em 68,2 milhões de registros negativados. Em média, cada empresa inadimplente tem 7,4 contas em atraso e deve R$ 26.355,13. Cada dívida, individualmente, tem valor médio de R$ 3.583,96.
As micro e pequenas empresas respondem pela maior parte do quadro: 8,8 milhões de CNPJs, com 61,4 milhões de dívidas que somam R$ 211 bilhões. Nessa faixa, a média é de 7 contas atrasadas e R$ 23.902,98 por empresa. A alta de 14,3% em 12 meses é menor do que a de 28,7% registrada na leitura anterior, mas o volume continua sendo o mais alto já medido.
Onde está a dívida
Por setor, os serviços concentram 56% das empresas inadimplentes e o comércio, 32%. A indústria tem 8%, o setor primário 0,9% e outros segmentos 3,1%. Por estado, São Paulo lidera com 3.173.156 empresas, seguido por Minas Gerais (927.374), Rio de Janeiro (879.915), Paraná (613.012) e Rio Grande do Sul (539.319).

A origem da dívida também ajuda a entender o problema. Das 68 milhões de pendências, 31,7% vêm de empresas de serviços, 19,7% de bancos e cartões, 8,5% de cooperativas, 6,7% de concessionárias de água, luz e gás e 6,2% de telecomunicações. Somando bancos, cartões e financeiras, a parcela é de 24,4%. Os outros 75,6% vêm de setores que não são financeiros, ou seja, de contas do dia a dia da empresa e não só de empréstimo bancário.
Juros altos e caixa curto
A Selic caiu de 15% no início do ano para 14% em agosto e está em 13,75% agora, segundo a Serasa. Para a economista-chefe da empresa, Camila Abdelmalack, esses cortes ainda não bastaram para mudar a situação financeira das empresas. Ela afirma que se trata de negócios com “menor capacidade de absorver choques”.
Ao mesmo tempo, a procura por crédito empresarial subiu 11,2% em 12 meses, e a leitura da economista é que boa parte dessa procura serve para cobrir necessidade de caixa, e não para crescer ou reduzir dívida. É um sinal de que muita empresa está pedindo dinheiro para fechar o mês.
Para o pequeno comércio de Goiânia, esse quadro tem um efeito prático. Quem vende no varejo de rua, em loja de bairro ou em galeria depende de giro rápido, e um atraso de fornecedor ou de conta fixa trava a compra de mercadoria do mês seguinte. Quando o pedido de crédito chega ao banco com pendência aberta, a análise já começa em desvantagem, mesmo que a empresa venda bem e tenha clientes fiéis.
Seu crédito está travado?O diagnóstico mostra o motivo exato e o caminho para destravar.
Falar no WhatsAppO que isso muda no seu pedido de crédito
Com tanta empresa atrasada, o banco redobra a atenção. Pendência em Serasa, SPC ou Boa Vista pesa na análise do score e do rating do CNPJ, e uma conta pequena esquecida, de telefone ou de energia, pode ser o motivo de uma negativa. Em empresa pequena, o banco costuma olhar também a situação pessoal dos donos, por isso vale conferir as dívidas do CNPJ e do CPF dos sócios.
Nem toda dívida é motivo de pânico. Boa parte tem desconto de negociação, e resolver antes do pedido costuma custar menos do que pedir crédito com o nome sujo. Mas é preciso saber o tamanho do que está em aberto antes de procurar o banco.
Três passos para fazer esta semana
- Consulte o CNPJ e o CPF dos sócios. Liste o que está negativado, com credor, valor e data.
- Priorize as contas pequenas. Dívida de telefone, energia ou fornecedor costuma ter valor baixo e é rápida de resolver.
- Só então escolha a linha de crédito. Dependendo do caso, o caminho pode ser o capital de giro, e não um empréstimo genérico.
O diagnóstico financeiro empresarial da Mesquita reúne esse mapa das pendências em um relatório, com a ordem do que resolver primeiro. Quem já levou uma negativa pode ler também por que o banco nega crédito.
Fontes
- Serasa Experian: novo recorde, inadimplência das empresas chegou a 9,3 milhões em agostoserasaexperian.com.br
- Poder360: Inadimplência bate recorde e chega a 9,3 milhões de empresaspoder360.com.br
- CNN Brasil: Inadimplência das empresas bate novo recorde no Brasil, diz Serasa Experiancnnbrasil.com.br
Informações conferidas em 22/10/2026. Fotos: Fronteira (CC BY-SA 4.0).
Crédito empresarial e organização financeira para pequenas empresas. A gente mostra o que o banco enxerga na sua empresa e o caminho para destravar.
Conhecer Mesquita Soluções Financeiras


