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MEI quer contratar em 2027: o que o caixa precisa antes

Pesquisa do Sebrae e da FGV Ibre indica que 4 em cada 10 MEI poderiam contratar com a nova lei. Antes disso, a conta do caixa precisa fechar.

MPor Mesquita Soluções Financeiras24 de outubro de 20264 min de leitura
Murilo Mesquita, especialista em crédito empresarial, em estúdioFoto: Acervo Mesquita Soluções Financeiras · Uso autorizado pelo cliente
Neste artigo (6 partes)
  1. O que a pesquisa do Sebrae mostrou
  2. O que a lei sancionada muda para quem quer contratar
  3. Contratar é um custo fixo, e o caixa sente primeiro
  4. O que ainda não é lei e não entra na conta
  5. O que fazer esta semana
  6. Onde o crédito entra, e onde não entra

Resumo em 30 segundos

  • Sondagem do Sebrae e da FGV Ibre, divulgada em 22/10/2026, ouviu cerca de 2 mil MEI em julho.
  • Cerca de 4 em cada 10 disseram que poderiam contratar; 11% contratariam com certeza em até 12 meses.
  • A lei sancionada em 21/10 amplia o limite de empregados de um para dois e sobe o teto para R$ 110 mil em 2027.
  • O Pix MEI ainda não é lei. Não entra na conta do caixa.

Uma pesquisa divulgada na quinta-feira, 22 de outubro de 2026, mostra que os pequenos negócios individuais querem crescer com a nova regra. Mas contratar é compromisso mensal, e o caixa precisa estar pronto antes da primeira contratação. Veja o que a pesquisa diz e o que fazer com isso.

O que a pesquisa do Sebrae mostrou

A Sondagem Econômica MEI foi feita pelo Sebrae com o FGV Ibre. Ouviu cerca de 2 mil microempreendedores individuais em todas as regiões do país. A coleta foi em julho de 2026, antes da aprovação da lei no Congresso e da sanção presidencial. Ou seja, são expectativas, não resultados.

Segundo a Agência Sebrae de Notícias, 51% dos entrevistados afirmam que as mudanças trariam impactos positivos. Para 61%, a elevação do teto permitiria crescer sem sair do regime. Para 43%, permitiria continuar atuando nele. Como cada pessoa podia marcar mais de uma resposta, os percentuais somam mais de 100%.

Sobre contratação, cerca de 4 em cada 10 disseram que poderiam contratar um empregado se a lei fosse aprovada. Desses, 11% contratariam com certeza em até 12 meses e 31% considerariam contratar no futuro. A intenção é de 45% na indústria e 42% tanto no comércio quanto nos serviços. O Nordeste lidera, com 45%.

O que a lei sancionada muda para quem quer contratar

A lei foi sancionada em 21 de outubro. Pelo que o Movimento Econômico e o Seu Dinheiro publicaram no mesmo dia, o limite de empregados passa de um para dois. O contratado deve receber um salário mínimo ou o piso da categoria. O Movimento Econômico informa que a ampliação não vale para todos os segmentos, então confira a sua atividade antes de planejar.

O teto anual de faturamento, parado em R$ 81 mil desde 2018, sobe para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. Com mais espaço no teto, o dono deixa de recusar contrato só para não estourar o limite. O relator da lei, deputado Rubens Pereira Júnior, descreveu exatamente esse comportamento.

Contratar é um custo fixo, e o caixa sente primeiro

Quem vende mais não recebe mais no mesmo dia. O salário, as férias, o décimo terceiro e os encargos vencem todo mês, mesmo que o cliente pague em 30 ou 45 dias. Esse intervalo entre pagar a equipe e receber a venda é o que costuma apertar o caixa de quem cresce rápido.

Por isso, o primeiro passo não é o contrato, é a conta. Some o custo mensal de um empregado, com a ajuda do contador, e compare com o que a venda extra deixa de sobra depois de impostos e insumos. Se a sobra cobre o custo com folga em pelo menos três meses seguidos, a contratação tem base. Se não cobre, o problema está na margem, e mais gente não resolve.

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O que ainda não é lei e não entra na conta

O Pix MEI, apoio de até R$ 5 mil sem devolução para compra de máquinas e ferramentas, não faz parte da lei sancionada. Segundo o Movimento Econômico, que cita o g1, ele ainda precisa passar pelo Congresso. Não planeje o caixa de 2027 contando com esse valor.

O que fazer esta semana

  • Separe o dinheiro da empresa do dinheiro pessoal. Sem isso, nenhuma conta de contratação é confiável.
  • Calcule quanto sobra por mês depois de pagar tudo, e quanto dessa sobra uma contratação consumiria.
  • Peça ao contador o custo completo de um empregado na sua atividade, com salário, férias e encargos.
  • Veja o que o banco enxerga hoje. O score e o rating do CNPJ definem se um capital de giro sai a um preço que cabe no negócio.
  • Se já houver restrição em seu nome ou no CNPJ, trate antes de pedir qualquer limite. Veja as dívidas do CNPJ e do CPF dos sócios.

Onde o crédito entra, e onde não entra

Dinheiro emprestado serve para cobrir o intervalo entre pagar e receber, não para sustentar uma folha que a venda não paga. Antes de contratar o limite, entenda as opções para MEI e microempresa e peça um diagnóstico financeiro para saber o que cabe no seu fluxo. A decisão de contratar é sua, e vale tomá-la com o número na mão.

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